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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – A Mercedes vai fazer alterações no seu sistema para o acionamento do "freio mágico" já na próxima corrida do Mundial de Fórmula 1 depois que Lewis Hamilton acidentalmente o ligou antes da relargada do Grande Prêmio do Azerbaijão, no último final de semana.

O inglês tinha usado o tal botão para jogar mais energia nos freios dianteiros e, com isso, aquecer melhor seus pneus, buscando o ataque em Sergio Perez na luta pela vitória -a corrida em Baku tinha sido interrompida após o rival de Hamilton na disputa pelo título, Max Verstappen, ter furado um pneu de seu carro.

No entanto, como essa configuração acionada pelo britânico faz com que praticamente apenas os freios dianteiros funcionem, Hamilton foi reto na primeira curva, voltou no fundo do pelotão e, com apenas duas voltas para o fim da corrida, não conseguiu pontuar.

"A regra não permite que falemos com os pilotos nas largadas e relargadas. Então não podemos falar o que eles têm de mudar. Por conta disso, tentamos simplificar ao máximo as coisas e produzir ferramentas que os pilotos possam usar para reduzir a carga de trabalho que eles têm, porque é muita coisa para fazer nas largadas", disse o diretor de tecnologia da Mercedes, Mike Elliot.

"Então um dos botões que temos no volante é o 'freio mágico', que não sei por que é chamado assim na verdade. É um botão que o piloto aciona e que coloca mais calor nos freios. E uma das coisas principais que ele faz é jogar a proporção de energia do freio traseiro para frente, para aquecer os freios dianteiros e, com isso, os pneus", continuou Elliot, que destacou ainda que Hamilton adotou todo o procedimento corretamente.

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"[Hamilton] desligou tudo o que deveria, ligou o que tinha que ligar, e tudo estava certo. Ele fez uma largada fantástica e estava lado a lado com Perez até que fez uma mudança de direção no volante. Quando ele fez isso, bateu no 'freio mágico' e não sentiu. Então ele não tinha nenhuma ideia de que teria um problema na freada. Ele freou no ponto certo, mas toda a energia do freio estava na dianteira e, por conta disso, os pneus dianteiros travaram."

Elliot não explicou exatamente o que a Mercedes mudará, mas disse que uma nova solução para impedir esse tipo de acionamento acidental já deverá ser implementada visando a próxima etapa do Mundial, na França, em 20 de junho. "É nosso dever dar a ele um carro que torne mais difícil que ele cometa erros."

Curiosamente, essa não é a primeira vez que Lewis Hamilton se atrapalha com botões no seu volante: no seu ano de estreia, em 2007, ele perdeu o campeonato depois de esbarrar no limitador de velocidade de boxes no início do GP decisivo, no Brasil.

Aquele erro fez com que a McLaren, seu time na época, também mudasse o volante, criando dois mecanismos para que isso não pudesse mais acontecer: o botão passou a ter uma espécie de barreira nas laterais e passou a poder ser acionado apenas com o carro em primeira ou segunda marchas.

Apesar da falha em Baku, Hamilton ao menos segue com a mesma distância de quatro pontos para o líder do Mundial de pilotos, o holandês Max Verstappen, que também deixou o GP do Azerbaijão zerado, em seu caso por ter abandonado a prova devido a uma batida a cinco voltas do fim.