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Internautas afirmam confiar na previsão dos profetas da chuva do Ceará A expectativa pelo período de chuvas marca o começo de cada ano para a população cearense e, em especial, agricultores e agricultoras do Estado. O Portal da Assembleia Legislativa realizou, no período de 26 de janeiro a 01 de fevereiro, enquete sobre a confiança nas previsões dos profetas da chuva e dos órgãos meteorológicos.

A maioria dos participantes (56,9%) indicou que confia na previsão dos profetas da chuva, pois eles “dificilmente erram e sabem ler os sinais da natureza”. Já 43,1% dos participantes apontou acreditar que “a ciência tem mecanismos mais eficazes para aferir essa previsão”.

Nos encontros realizados ao longo do mês de janeiro em diferentes regiões do Ceará – em formato virtual ou com número reduzido de pessoas, em decorrência da pandemia – as previsões dos profetas apontaram para um cenário positivo com chuvas acima da média para o Estado.

Também em janeiro, a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) indicou que o trimestre de fevereiro a abril deste ano tem 50% de probabilidade de ter chuvas abaixo da média no Ceará.

Segundo o órgão, há ainda chance de 40% de chuvas na média do período para o Estado e 10% acima da média. No fim de fevereiro, a Funceme divulga a previsão de chuvas para o período de março a maio.

O deputado Moisés Braz (PT) avalia que tanto institutos oficiais quanto profetas da chuva merecem crédito e não podem ser desconsiderados, pois o conhecimento não é exclusivo de ninguém de forma absoluta.

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“Torcemos para que o Ceará tenha uma boa quadra chuvosa este ano e com chuvas, principalmente, melhor distribuídas. Água traz consigo também a esperança e a materialização do aumento de chances de sobrevivência para milhares de cearenses que contam com ela para produzir e beber”, comentou. “Que as chuvas venham acompanhadas da vacina para que possamos avistar um futuro digno à frente", afirmou o parlamentar.

O deputado Queiroz Filho (PDT) afirma que o trabalho dos meteorologistas e seu embasamento científico devem ser a principal referência para as ações desenvolvidas pelos gestores para a convivência com a estiagem, mas também é preciso se levar em consideração as observações das pessoas do campo.

“Trata-se de uma tradição de vem de gerações, primordial para a sobrevivência de tantas famílias. Por isso, tais observações devem ser levadas em consideração, principalmente para as regiões específicas dos profetas. São trabalhos que se complementam no intuito de prevenção", avaliou o parlamentar.

Marcos Jacinto, coordenador executiva da Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA) no Ceará, comenta que é muito significativa a percepção de que existem conhecimentos diferentes e diferenciados e que pode haver um diálogo e uma troca entre o conhecimento popular e o conhecimento científico.

“A medida que a gente valoriza e reconhece o conhecimento científico, também precisamos valorizar o conhecimento popular”, comentou, indicando que as previsões têm como base a forma como os agricultores e agricultoras observam os sinais da natureza e suas reações. “É algo histórico, é cultura, vem do modo de vida das pessoas, da relação delas com a natureza, com o meio ambiente”, destaca.

SA/CG